quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A interdisciplinaridade como ação afirmativa de mudança

O modelo biomédico -que ainda é o predominante- demonstrou ao longo dos anos que sua abordagem biologicista é insuficiente para abarcar as demandas da sociedade, seja ela desenvolvida ou em desenvolvimento. Como resposta a essa falha surge então um novo modelo que visa à atenção integral ao ser humano, não só como um portador de patologias, mas como um ser complexo integrado ao meio, sendo afetado por fatores sociais, psicológicos e ambientais. Desse modo, o SUS tenta alcançar tal modelo e assim busca não só a cura da doença, mas também a promoção da saúde.

Para que esses objetivos sejam alcançados na prática, há um longo caminho a ser percorrido. Embora a legislação que rege o SUS seja muito avançada, os entraves ao avanço da práxis necessitam a ser contornados por ações que visam uma mudança na integralidade primeiramente na prestação de serviços de saúde. Como alavanca propulsora de mudanças a interdisciplinaridade propõe um compartilhamento de conhecimentos tanto no âmbito prático como no teórico e de diferentes pontos de vista, para que haja um maior vínculo entre os profissionais que compõe a equipe de saúde e desta com a comunidade.

Concomitantemente, a interdisciplinaridade é pensável em termos de poder. Ela não anula as formas de poder que todo o saber comporta, mas exige a disponibilidade para partilhar um saber e um poder que se tem consciência de não ser proprietário. Trata-se de não ocultar o seu próprio saber/poder, mas, ao contrário, torná-lo discursivo e acessível à compreensão de outros para que possamos ter uma saúde pública democrática e popular.


INSCRIÇÕES

O valor da inscrição é de R$10 para alunos não-carentes e demais participantes.
O valor vai a R$2,50 para alunos carentes.
Os interessados em participar devem enviar para o e-mail isabelcristina.ceparc@yahoo.com.br os seguintes dados:
nome:
curso/profissão:
matrícula:
instituição de ensino:
e-mail:
telefone:
Informando se é ou não carente.

Mais informações no blog do Seminário: http://intersaude-ufsm.blogspot.com e pelo telefone (55)9189-8413.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PROGRAMAÇÃO

Data : 11 de Dezembro de 2009 /Sexta

Local: Gulerpe/ HUSM
Início: 18:30horas - Abertura: Pronunciamento da Coordenação de Saúde do Diretório Central dos Estudantes, DCE representado pelos acadêmicos Leonardo da Silva Soares e Lotário de Souza do curso de enfermagem, Isabel Cristina Reinheimer, farmácia, Rafael Cabral Macedo, medicina e Sabrina Cavalheiro Bordignon, fonoaudiologia.

Início: 19:45 horas - Palestra : Sistema Único de Saúde - De onde veio e onde chegou. Palestrante: Maria Denise Schimith, graduada em enfermagem na Universidade Federal de Santa Maria, mestrado em enfermagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordenadora de Atenção Integrada a Saúde da 4ª Coordenadoria de Saúde de Santa Maria de 2000-2003. Docente do curso de Enfermagem UFSM. Exposição do tema pelo período de 45 a 60 minutos. Quinze minutos destinado aos questionamentos e exposição dos acadêmicos ouvintes.

21:00 - COFFEE BREAK

Início: 21:30 horas - Palestra: Sistema Único de Saúde: 20 anos de avanços e contradições. Palestrante: Ilse Meincke Melo, graduada em enfermagem pelo Centro Universitário Franciscano, especialista em Saúde Coletiva e Humanização do SUS e tutora da Escola Nacional de Saúde Pública. Exposição do tema pelo período de 45 a 60 minutos. Quinze minutos destinado aos questionamentos e exposição dos acadêmicos ouvintes.

sábado, 5 de dezembro de 2009

DEFENDEMOS O SUS: DEFENDEMOS A VIDA

A saúde como direito social somente foi reconhecida no Brasil com a promulgação, em 5 de outubro de 1988, da Constituição Federal, na qual foram também inscritos os princípios essenciais do Sistema Único de Saúde (SUS). Tais princípios foram incorporados nas constituições dos estados e do Distrito Federal em 1989 e regulamentados, no plano federal, somente em 1990, com a edição das Leis Orgânicas da Saúde (Lei n. º 8.080, de 19/9/90 e Lei n. º 8.142, de 28/12/90). Ainda em 1990, os princípios do SUS foram incorporados às Leis Orgânicas de vários municípios brasileiros. Em síntese, está em vigência há pouco mais de 17 anos o arcabouço jurídico-normativo que propiciou o início da luta pela construção do SUS.

Financiamento da Vida

David Capistrano Filho no final da década de 1990, fazendo alusão à privatização da saúde em outro país da América do Sul, manifestou sua opinião sobre o nosso país nos seguintes termos: no Brasil não existe possibilidade de privatizar a saúde por decreto.

Naquele momento histórico, este sanitarista que é referência de uma geração de pessoas que lutam pelo Sistema de Saúde nacional público e universal, portanto, por um sistema para todos os brasileiros e todas as brasileiras, superestimava a capacidade de resistência da esquerda e subestimava a capacidade de cooptação pela direita de amplos setores da esquerda, inclusive de sanitaristas, e a capacidade destrutiva socialmente falando da ação da direita brasileira.

Daquele momento até o presente, paulatinamente, veio se agudizando o duro combate político que, já a partir de 1990, se dava em torno do Sistema de Saúde nacional em meio a um movimento com dinâmica contraditória.

O fato: as elites econômicas e políticas brasileiras, apesar do reconhecimento da saúde como direito social e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) advindos com a promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF de 1988), declararam uma guerra surda contra a implantação do Sistema de Saúde público e universal no país.

SUS: Um Novo Ataque!

Ricardo Menezes*

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (Art. 196. Constituição Federal de 1988)

Há dois séculos homens e mulheres que lutavam por um mundo que se estruturasse tendo como pilar da organização em sociedade a radical defesa da vida de todas as pessoas, atinaram para a determinação social e econômica que ensejava a exposição da esmagadora maioria da população a toda sorte de riscos à sua saúde e à sua vida. Mas não só: perceberam que a luta pela superação das desigualdades socioeconômicas era insuficiente para preservar a saúde, manter a vida e propiciar o bem-estar coletivo sem que, paralelamente, se instituísse uma rede de prestação de serviços, distribuída pelo território do Estado nacional, que propiciasse às pessoas o acesso universal e igualitário às ações e serviços destinados à promoção, proteção e recuperação da saúde. Os Sistemas de Saúde socializados, portanto, universais, implantados particularmente em países europeus do início do século passado até a década de 1970, constituíram-se na materialização da solução para essa percepção – a necessidade de instituir-se uma rede de prestação de serviços de saúde nacional e de acesso igualitário –, cujos defensores foram os partidos políticos que buscavam a transformação social, o movimento sindical e a intelectualidade progressista.